quinta-feira, outubro 24, 2013

A verdade sobre meu Amor

Meu Amor não morreu
Mas, matou-me hoje pela manhã.
Meu Amor não morreu
Mas, levou-me o fio de vida que restava, que sustentava o soluço dos últimos dias.
Meu Amor não morreu
Mas, partiu impiedosamente.

Meu Amor deixou a morte, a amargura e a escuridão.
Meu Amor se foi.
Disse que foi pra sempre
Assim como dizia que era seu Amor.

segunda-feira, outubro 21, 2013

Coisas guardadas

Partes de uma vida
Termina uma, começa a outra
Ainda vivo...aprendo.
Rosada como quem tem vergonha, mas adianto: é mentira
Tem é vergonha de nada
Faz parte do trâmite
Faz parte da coisa toda
Alimenta desejos, pensamentos, e tantas coisas guardadas.

Tanta coisa guardada...

terça-feira, julho 09, 2013

Meu Amor não morreu

Meu Amor não morreu
Vive só
Não fala porque roubaram sua voz
Mas, tenta balbuciar em dias solitários: todos
Meu Amor matou-me mais um pouco...

Meu Amor viu trezentos e sessenta e cinco dias todos os anos, desde que nasceu
Meu Amor viu trezentos e sessenta e seis dias em dois mil e doze
Viu as horas passarem
Minutos
Segundos

Meu Amor é incomum
É meu
É louco e se rasga por inteiro em noites de lua cheia
silenciosas
Grita sem emitir qualquer som
Sofre, arde como um corte profundo

Meu Amor é o melhor e o pior de mim
É o melhor e o pior Amor do mundo
Deu-me um sentimento único
Rompeu meu corpo, minhas veias
Estou sangrando.

terça-feira, março 05, 2013

Ipsis litteris

Um suspiro após rasgar o coração no início indeciso de março...
Fome. Fome de tudo, sobretudo, de palavras... Das palavras empoeiradas, de sentido alterado com prévio aviso. O sentido das palavras envelhece, anda apoiado na bengala do velho e depois de um tempo morre. Não morrem as palavras, só o sentido. Morre o sentimento original, vem um novo. Esse me serve?
 
Um sentimento novo nas mesmas palavras, Ipsis litteris, lá se vai meu coração mais uma vez. E muito embora eu não duvidasse de nada, era meu desejo firmado dentro da Especificação que enviei ao Dono de tudo que conheço. Por que? Não, desculpe, não posso perguntar. Eu sei das respostas. Eu sempre soube delas, pelo menos das que  me eram essenciais. Coitado de quem duvida do que acaba com o mundo. Eu nunca duvidei de nada. Nem do que é mau, nem do que é bom. No entanto...
 
É preciso recomeçar.

quarta-feira, junho 20, 2012

Solidão matinal

Sem personagens hoje! Eu gosto deles, mas não hoje.

Eu gosto de acordar com o escuro ainda firme. Eu gosto da chuva que molha meu rosto, gosto do ventinho frio tocando minha pele. Meu cabelo vai junto, no ritmo ditado pelo tal ventinho. A solidão não é ruim como muitos pensam. A solidão dispensa cobranças, palavras, vestígios de certezas ou enganos. Tudo muito claro como a água do rio que passava na minha infância. Pertinho. Logo ali!

domingo, junho 17, 2012

Palavras, delírios, palavras...

Lá estava ela de novo, no lugar de sempre. Ia lá quando queria ficar só. Parecia muito só naquela tarde fria, tão fria quanto seu coração, tão pequeno, proporcional a seu tamanho. A pequena entrou na casa com a noite caindo, sozinha, sempre sozinha. Era seu refúgio a casa com pouco luxo, como ela mesma era. A escrivaninha de seu quarto perto da grande janela de vidro, era o que eu conseguia ver dela, a trasparencia daqueles vidros. E por tantas vezes ela esteve ali, sentada, olhando por aquela janela. Estava se lembrando...

*

As mãos dela afagavam seus cabelos castanhos, macios, curtos, debaixo daquele sol tímido da manhã de um sábado qualquer. Sábado desastroso para ele que, ao sair da conveniência, escorregou, caiu, e bateu a cabeça. Desmaiou.

- Tudo bem com você? - perguntou ela com voz mansa. Carinhosa. Era tanto carinho!

Ele abria e fechava os olhos bem devagar, falava coisas que ninguém compreendia. Mas ela fitando seus olhos castanhos, confusos, entendeu. Era para ela uma pronuncia clara, porque ela mesma conhecia bem aquelas palavras. Ela entendeu seu delírio. E ele contou a ela seu segredo.

- Eu to bem... Acho que to...

*

Quando ela olha pela sua janela de vidro está se lembrando dele, do segredo, de tudo, sobretudo sobre o significado daquelas palavras, do rasgo sem remenda, daquelas malditas palavras que já conhecia há tempos.



sábado, junho 16, 2012

Sono

Sono, Cadê?
Compra-se sono
Paga-se bem!
Nessa confusão de idéias
Indo e vindo
Quero sono
Quero Morpheu
Eu
Que sempre apreciei solidão de madrugadas como essa.

sexta-feira, junho 08, 2012

Tarde em Lisboa

Que calor!
É tarde de muito calor em Lisboa
Boa para uma grande amizade
Que tarde não se vê
Mas se conecta a todas as horas
Que correm em Lisboa
Ou em qualquer lugar
Que alguém ou algo com vida respire
E em tardes como essa
Vou me lembrar de você
Pelo tempo que for preciso.



Em 04/06/2012 - Para Nena.

sexta-feira, março 23, 2012

Andei por muito tempo até encontrar o caminho certo. Agora que encontrei, penso: eu queria mesmo achá-lo? Talvez eu não quisesse, mas devesse. Eu penso tanto sobre o que devo. Devo pensar sobre isso agora? E tenho falado tanto até o que normalmente não falo. Devo falar tanto agora?

Só.

segunda-feira, março 19, 2012

Mais um dia

De volta à rotina
Tudo vai como antes
Exceto pela sua ausência
Tão nítida que comentei com Inês
Que fez sua vez no percurso da manhã

Nenhuma mensagem
Apenas ligações aleatórias
Nos intervalos oferecidos por Morpheu
E eu
A esperar.

sábado, março 17, 2012

Eu não consigo mais dormir como antes
Penso em batalhas
E não faço idéia de quando se findará a guerra

Eu não sou mais tão jovem
Assusto-me com os primeiros fios brancos
Mais brancos que eu

O tempo é escasso
E já faz um tempo que não tenho mais o controle
Não tenho tanto tempo

Tem tempo que sei.

quarta-feira, março 14, 2012

Piki.



AGora amar é marcar pra sempre...
Por favor, nunca mais esquece!

sábado, março 10, 2012

Eram quatro
Agora são duas.

Mandei uma carta hoje
Será que chegou?
Será que apartou de você a dor da saudade
Dessa maldade que a vida fez?

As duas escreveram
Uma apoiando a outra nesse mundo de letras
As duas.
Juntas...
Uma segurou o papel
A outra escreveu.

Trabalharam juntas
Como nós fazemos quando precisamos uma da outra
E se juntas conseguimos, logo somos quatro!
Se somos quatro, somos o que há
E podemos conseguir qualquer coisa assim.

Amar aGora significa que
Não há hora que passe
Não há dia que chegue
Não há nada
Só eu aqui sozinha
Lembrando de tudo que me remete a você.

quarta-feira, março 07, 2012

Sinto sua falta

É como acordar e não saber onde estou
É como esquecer quem eu sou
É como o pássaro que não pode voar
É como amor que não pode amar
É como Perseu procurando o que nunca achou
É como o ciclo que se fechou sem anunciar
Que
É ruim demais
Essa falta toda que você me faz.

sábado, dezembro 24, 2011

Sempre

Eu odeio natal
Estou no meu mundo
Sozinha
Intranquila
Eu e meus segredos
Seus beijos
Seu cabelo caindo no rosto
Meus pensamentos em você
Sempre
Eu odeio natal.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Momento único

Momento único esse
Quando a escuridão vai embora
E chega a luz do dia, de mansinho...
Não consigo pensar em quase nada
O burburinho dos passarinhos, miúdos
O galo que canta
Os primeiros raios de sol
Anunciando que o dia pode até ser feliz.

domingo, agosto 28, 2011

Medidas

Perdida no escuro
Bati a canela não sei onde
Decerto nenhum Quimera
A julgar por meu um metro e sessenta e um
Um?
É, um!
Queria uma medida redonda
Um e setenta estaria de bom tamanho!
Perdi as medidas
As minhas medidas
Calculei certinho, mas não atingi a altura que queria
Agora estou com medo de acender a luz
E ver que minha sombra, sem medidas, está lá.


segunda-feira, junho 06, 2011

O Encontro

1, 2, 3, 4, 5... um vazio, seguro a respiração.

Começo a contar de novo: 1, 2, 3, 4, 5... Vai passar. Sempre passa. Então espero.

Só precisava que o tempo compactuasse comigo, mas ele não quer. Tentei de tudo, e contra tudo o que pensava, eu o ofereci até o que não devia oferecer. Tentei corrompê-lo sim, tentei. Mas, de nada significaram minhas palavras, totalmente em vão as pronunciei. Senti-me perdida. Mas ainda esperava.

- Você precisa se conhecer melhor, e rápido - ele disse dono de si, de mim e do mundo inteiro. Odiei ele. Não era a primeira vez.

Olhei ao redor e só sentia o vento sobre o tempo, sobre tudo, se perdendo ora entre meus cabelos, ora entre meus pensamentos. Tantos. E éramos nós, sós, esperando... E nada d´eu chegar.

quarta-feira, junho 01, 2011

Tempo que não volta

Duas motos.

Eu escolhi a vermelha. Desajeitada, mas a segurei quase com jeito. Quase.

- Não sabia que preferia a vermelha!

- Como assim?!!! Eu te disse... Faz tempo.

- Ah, nem disse, vai!

Estrada de terra larga. Pedrinhas no caminho: um monte. Então derrapei, mas não caí. Tomamos um susto. Mas, susto maior foi o meu. Ri e vi seu sorriso perfeito que, naquele sol da manhã de sábado, ficou mais perfeito que de costume. E quem contestaria isso? Ninguém. Perfeito como a amizade que sentia por mim.

Da estrada de terra assistíamos o vale. A água descendo abaixo. Onde será que ia dar? Os animais lá embaixo se refrescavam com a água limpa e a sombra da árvore ribeirinha. Ali, quase perto de nós isso acontecia enquanto falavamos em silêncio. E hoje entendo que realmente era compreendida.

Ai, tempo que não volta! Que me faz sentir saudades de tudo aquilo que me fazia feliz.

terça-feira, abril 05, 2011

Aqui

Foi aqui que eu disse: Faz anos! E faz mesmo, quase lá de novo (estou em desespero, acredite!)... Falei sobre Quimeras, meras palavras sobre dores e amores. Foi aqui que transbordei e chorei até quase morrer, e muitas vezes morri. Foi aqui. Foi aqui que contei sobre As Horas com minha mãe, intermináveis, mórbidas, mas intensas. Se não fosse a dor do momento, talvez tivessem sido as melhores, porque foram as mais sinceras. Foi aqui que falei de Confeitos, Feitos e Fatos. Minhas perdas... tantas. Meus ritos... irritantes. Falei de pessoas que me cercaram e me cercam, algumas amigas, outras não. Falei do mal que me mata e me faz viver. Falo de como morro a cada dia, hora, minuto, segundo... Lamentavelmente como a qualquer outro mortal.

domingo, março 13, 2011

A Raposa e o Pôr do Sol

Luzes apagadas.

Perdi o pôr do sol hoje.

Esta cidade, sem dúvidas, é feita de escolhas: ou vê-se o pôr do sol ou desvia-se dos motoqueiros. Certa vez, muito chateada por ter perdido um pôr do sol, atropelei um motoqueiro e ele ficou furioso comigo. Queria me matar, e isso, e aquilo, e os diabos! Mas eu não o entendi muito bem. Ele não havia quebrado nada, nadinha. Uma ralada no joelho à toa. Tá! Admito: ralada grandinha! Havia também alguns arranhões na moto novinha que lixou uns cem metros initerruptamente. Ou seriam duzentos metros? Não sei. O fato é que o motoqueiro não sabia da importância daquele pôr do sol para mim. Nunca um pôr do sol é igual ao outro, de forma que, aquele pôr do sol, decerto, eu nunca mais veria.

O pôr do sol leva embora algumas esperanças, e quando a noite cai, tem-se a certeza de uma nova companhia. Para alguns, companhia maldita. Para mim só a companhia de sempre. Eu divago muito às vezes. Irrito-me comigo mesma. Difícil admitir que entendo de pôr do sol, porque é o momento perfeito para a tristeza que sinto. Mas não é uma simples tristeza... É a tristeza de entender que no mundo de Pequenos Príncipes eu sou desgraçadamente Raposa.

Raposa... Raposa... Raposa... ! Não consigo tirar isso da cabeça.

RA.PO.SA Sf 1. Mamífero carnívoro semelhante ao cão. 2. Pessoa fina e astuta.

Cães choram à noite. Por isso, luzes apagadas sempre. Sabe, essa vida é muito sem graça sem ritos. Por isso, sem rito, não durmo. Então, apago as luzes e me aproximo da porta já aberta. Sinto o sereno levemente tocando minha pele (Sf2). O ar não é tão puro, mas me mantém viva. E assim são as noites de todos os cães e raposas que choram pela cidade a fora (Sf1).

Raposa que se preza - semelhante ao cão - chora, mas não um ano inteiro pelo mesmo motivo (Sf2). Raposas caçam porque faz parte do seu instinto. Dilaceram a carne da frágil ave, não por pura maldade, mas tão somente por uma questão de sobrevivência (Sf1). Sabem apreciar o pôr do sol à espera de sua melhor companhia, com olhos fixos na luz. E é exatamente neste momento que, resignadas, elas quase se tornam encantadoras (Sf2).
"Saint-Exupéry, Antoine de - O Pequeno Príncipe"
"XXI - E foi então que apareceu a Raposa (...)"
11/03/2011

domingo, março 06, 2011

?

O que estou fazendo?

O que estou esperando?

O que pretendo?

Entendo?

Afinal, quem sou eu?

domingo, fevereiro 13, 2011

E se você estivesse aqui?

E se você estivesse aqui?

O que você faria?
Do que falaria?
O que sentiria por mim?

Como se vestiria?
Com quem sairia?
Teria tempo pra mim?

Eu juro que queria
Saber como seria o dia
Se eu pudesse ter você toda pra mim.





Um pensamento para 15/02.

domingo, janeiro 23, 2011

Doubts

I´ve been thinking... is he all that? There is a river between the lines of our lives. And all of this do not leave my thoughts. Torment. Pain. Shame. What will happen on the next chapter? What is he going to feel about me? How much importance do I have? I don´t know.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Cacos

O coração pareava ali, juntinho com o termometro, 0° grau. Os olhos desatentos ao alheio, sobrevoava campos, observava estrelas, sentia o vento de encontro ao rosto e aos sentimentos. Sentimentos bobos, típicos de uma boba. Sentimentos que foram interrompidos pelo choque entre um xícara e um pires, que de tão forte, romperam-se naquela tarde de domingo.

- Bem vinda ao mundo novamente.

Olhou para a moça simpatica que sorria, enquanto baixo pronunciava as tais boas vindas. Com certo ar de desespero olhou ao redor, e era o mundo de novo. Estava tudo ali. Do jeito que ela havia deixado. Procurou aflita a saída. Em vão. Não tinha. Então acordou.

domingo, dezembro 26, 2010

Que seja assim

Coisas que preciso até o final do ano:
- Um cortador de pizza;
- Um lápis preto de olho que não se vá mesmo que eu chore uma tarde inteira;
- Que meu carro funcione sem causar.

Coisas que eu preciso de mim:
- Que eu seja menos sem sal;
- Que eu seja menos drástica, talvez até simpática;
- Que eu nunca me esqueça de quem eu sou.

Coisas que preciso dos demais:
Quero pular essa parte, não por falta de sinceridade, somente por não querer o queria.

Coisas que me fariam feliz:
Eu queria saber mais sobre o que me faria feliz.

O que eu tenho:
Uma "Coisa Branca" mimada!

O que eu não tenho:
Quero pular essa!

Eu gosto:
Do burburinho trazido pela tarde que fecha meu dia com luz.

domingo, agosto 15, 2010

Sem Sentido

Eu queria, mas não deu.

Tentei e tentei
Várias vezes
Mas não deu mesmo.

Não deu pra te dizer o quanto me importava
O quanto eu te queria
E agora tá assim...

Assim de um jeito
Sem jeito
Sem sentido.

Eu to sem mim.

domingo, agosto 08, 2010

Helena



piki.

O dia começa numa janela!


piki.

Ela me leva na conversa

Que nem direito é conversa

Porque fala pelos cantos

E algumas vezes pelo pranto

De uma saudade que não cessa.



Sorriso de Ana, mas é Helena.



Helena preguiça

Helena comilona que é de Camila.



Helena minha amiga.







quinta-feira, abril 08, 2010

Confeitos Rosa

A alvorada que a despertou também a deixou inquieta. Na cabeça, o assunto do noticiário do dia anterior: tragédia. Havia decidido que não mais assistiria noticiários. Mas por vezes, caía em tentação.

Na primeira quadra depois de seu prédio viu o mesmo homem, com o mesmo carro que saía da garagem subterrânea, tão escura quanto aquela fase de sua vida. No caminho para o trabalho também os mesmos carros. No sinal da Mutinga, o menino de sempre.

-Ei! Abaixa o vidro, abaixa o vidro!

Ele sempre fazia o mesmo pedido. No início era um incomodo, mas com o passar do tempo ela percebeu que ele tinha algum tipo de problema.
- Oi, posso te dar um beijo? - ele era carente de tudo, de pai, de mãe, de irmãos...
- Pode!
Após beijá-la o rosto, saía correndo em direção aos outros carros da extensa fila do engarrafamento. Rindo. Como uma criança que apronta uma peraltice qualquer. Feliz, seguia oferecendo balas e chocolates para os outros motoristas. Quanto a ela, quase sempre prosseguia arrasada, sentindo a impotência por não ser Deus, por ser ninguém.
No restaurante do site onde trabalhava, pediu o café de todos os dias: quase amargo. Pura reflexão de pensamentos inibidos pelo que chamam de bom senso. Neste dia específico não pediu pão. Terminou a xícara e se dirigiu ao caixa. Também fugia das malditas notícias cuspidas pela tv instalada no alto do pequeno estabelecimento.
- Neusa, quanto é o meu?
Comprou confeitos mastigáveis. Coloridos. Quis chegar logo em sua mesa. Quase que bruscamente, abriu o drops por inteiro. Procurava os de cor rosa. Rosa, rosa, rosa! - as queria tanto quanto a solução dos problemas do mundo, sem nem mesmo saber o porquê. Tomada por tamanha e inesperada felicidade, balbuciou:
- Cinco!
Cinco confeitos da cor rosa mudaram seu dia, pelo menos até que o dia seguinte se instalasse novamente.





Para Cahseeenha.

domingo, março 21, 2010

Saudade

Saudade que não finda
Que deixa meu corpo inquieto no fim da tarde
Que deixa a boca com gosto de desgosto
Longe de Agosto
Mas, perto de tudo.

sábado, fevereiro 13, 2010

As horas

Que dia é hoje?
Que dia será amanhã?
Pela falta de intimidade com os dias
Restou-me as horas
As quais acompanho lentamente
À espera de 11:00, 15:30 e 19:00 horas.

Tudo isso pelo sorriso ainda esperançoso que me espera
Que me motiva a respirar
Pelo qual atravesso coisas que jamais achei que...

Ah mãe, te amo tanto.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

dias sem fim

Estou transbordando, mas não de alegria
Inicia-se um novo ciclo que não é muito bom
Meu coração não consegue ter pressa
Não por não ter notado o perigo
Por estar paralisado como a presa pelo rugido
Não há amigos, nem amores
Só eu no fim de cada dia
No início de cada noite
No início de cada manhã melancólica
De cada tristeza que passa por mim em dias sem fim.

domingo, novembro 01, 2009

33

Num domingo ensolarado, ela acordou cônscia de seus 33 anos. Não precisou achar nenhuma ruga para isto. O tempo é carrasco com todos, apenas pensou. E o dia estava só começando...

domingo, outubro 11, 2009

Noites de Outubro

Eu não acredito em coisas exatas
E não tenho mais tanto medo de Quimeras
Não dou mais voltas e também não me importo tanto
Observo o vazio que, repentino como saraiva, cai do céu
Cai do alto atingindo tudo que acha
E você ainda não entendeu todas as linhas que me traçam
Sigo devagar procurando um sentido
Que vez ou outra, encontro em noites frias e escuras de Outubro.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Entre tantas coisas...

Tanta coisa
Entre pensamentos e palavras
Não sei se é bom ou ruim
Só sinto
Não falo para não perder o encanto
Não falo porque tem coisa que não se fala
Só se guarda
Guardo tudo.

sexta-feira, junho 05, 2009

Conto-te

Eu conto que te conto
O que conto pra quase ninguém
Conto-te também o que conta
E o que conto pra quase todo mundo também.
Só não te conto quando você não conta
O que tens pra contar sobre você, meu bem.

Entre tantos contos contados
Conto um somente pra você que tem
Meu coração, meu sorriso, minha mente
Conto-te que tudo isto é seu, de mais ninguém.

quarta-feira, maio 27, 2009

A importância das coisas

Concedi-me vida
Só por um pouquinho
Respirei aliviada
Andei em direção à porta sem olhar para trás
Sem me importar com tudo e o resto.

sábado, abril 18, 2009

18 de Abril

Faz anos!

E estou ficando velha

Me sinto muito velha...

Tenho 32 anos e 12 meses

Quero nunca passar dos 32

Nunca!

quinta-feira, abril 16, 2009

Impression



I just wanna leeeeeeeeave...

But I pretend to feel that breeze

Like in the day you kissed me.

Gorgeous!

quinta-feira, abril 09, 2009

Palavras guardadas

No cais, naquele lugar de sempre...
"Guardei tuas palavras numa sexta que não fez sol. Eu as escrevi com o meu HB. Texto cinza. Guardado em folha de seda, só para mostrar a delicadeza do sentimento. Se eu não as escrevesse, o vento as levaria de mim.
Guardado, mas por você rasgado. Por mim não. Recusei-me. Embora não pareça, eu tenho apego às palavras. Eu gosto de palavras. E gostei das tuas. É. Gostei..."
E a tarde se findou sob seu olhar distante. E mesmo sabendo que ele tinha razão no que lhe dizia nas palavras rabiscadas por ela, percebeu que nada, de fato, havia ido.
Num Rio de Janeiro de José de Alencar, sentindo a calmaria do mar, balbuciou para si:
"- Nada se foi, apenas teve que ser guardado..."
Dobrou a folha de forma proporcional à delicadeza do sentimento e também do papel. Guardou as letras cinzas que alastrava tal cor em seu coração.

terça-feira, abril 07, 2009

Meu corpo e o seu
Hoje uma necessidade
Uma mistura de bem querer, saudade e vontade
Vontade de sentir tua presença e o que ela me causa
Vontade de não mais me lembrar do passado, dos meus erros, de tudo...

Noite solitária
E esta solidão, quase um mal necessário
Não me exime de nada
Nem de mim mesma.

domingo, março 29, 2009

A vida sem cortes

Dia nublado... Mais um domingo.
Janelas abertas
Ventinho roçando a pele
Almoço gostoso
Tarde agradável, sem compromisso...
E a vida não é tão ruim como noutro domingo
Pessoas vêm...
Pessoas vão...

E assim termina mais um ciclo.

domingo, março 15, 2009

Corte Profundo

Incisivamente cortei-me
Sangrei em tarde de domingo
Como outrora fiz por tantas e tantas razões
Não há como retificar
Mais uma vez...
Déjà vu
No meio do caminho minha mão esqueceu o gesto
Esqueci de mim
Esqueci de tudo
Perdi-me no vento
Aquele vento de sempre
Levou meus pensamentos de novo
Levou tudo que estava em mim
Levou o pássaro que batia suas asas
Sob a sombra fresca da minha árvore
Sob o céu que em outras vezes me protegeu de toda a tristeza dessa vida...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Solidão

E minhas palavras fugiram
Quando muito escassas
Vi corações solitários pela rua
Como o meu...

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Vou continuar...

Estou pensando em todos os verbos dessa semana
Estou pensando no vazio que percorre minha mente
Vou parar de pensar
Vou parar de sofrer
Vou continuar...

terça-feira, fevereiro 03, 2009

necessidade

eu preciso lavar os copos
preciso de minhas roupas dobradas e guardadas
vou abrir as janelas

preciso sair mais para sentir a brisa tocar meu rosto
há tempos não deixo a chuva me molhar
há tempos não deixo meus cabelos se esvaírem na calma de minhas mãos

não assisti mais ao pôr do sol desde aquele dia no cais
aquele dia foi o último
e eu nunca mais vi outro como aquele
nunca mais

lembro do azul do mar
ele nos escutou todas as vezes
presenciou o tilintar da vitória
o beijo, as bocas, os braços e as pernas

sinto falta de tudo.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Não há

Parei no tempo
Sem saber exatamente se é contentamento
Sem saber de nada
Gosto desse sentimento
Não há decisão vinculada
Não há máscara
Não há nada.

sábado, janeiro 17, 2009

Basta!

Hoje não há inspiração
Apenas angústia dentro da verdade mais certa de não mais querer perdoar você
Não quero
Não insista
Não farei mais isto
Não, nunca mais.

Não mais lhe prestarei ajuda
Pois se no final ainda queres me presentear com a culpa
Não mais escutarei suas lamúrias
Relatos de uma fragilidade que não existe
E por quanto tempo enganas com isso?

Não há espiritualidade em você
És carnal, totalmente.
Dissimula quando pode
E reformula frases feitas

De fato
Hoje te detesto.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Luz do dia

E a luz do dia é a salvação
De uma noite onde meu quinhão
Foi árduo pra danar...

sábado, janeiro 03, 2009

Independência é a Morte

Parei o carro no estacionamento. No chão, brita. A brita quando em contato com o pneu faz um barulho chato. A aderência não é perfeita, e por isso, pequenas derrapagens sem danos a ninguém acontecem sempre.

Estacionei ao lado do carro vermelho. Havia um homem sentado no banco do carona. Cabelos bem brancos. Não teve curiosidade de olhar para o lado. Só eu olhei. Mas não olhei por curiosidade. Apenas olhei.

Uma mulher veio em direção ao carro. Tinha idade para ser a filha mais jovem do homem. Poderia também ser sua neta mais velha. Eu não sei.

- Vamos. Devagar você consegue. Eu te ajudo.

A mulher tinha voz afável e completamente paciente. Ele apenas a olhou; não disse sequer uma palavra. Aqueles olhos azuis diziam muito mais que sua própria boca. A pele tão branca se assustava com o tom daquele azul. Azul diferente do céu. Diferente de todo tom de azul que já vi. E eu já vi muito azul.

- Ai!

Ele estava sentindo dor. Contudo, a jovem mulher ajudou-o nos passos. Depois da saída do carro, o segundo empecilho foi a calçadinha de acesso que, depois de mais alguns ais, fora vencida bravamente. Apenas restaria a grande rampa. Ela falou algo ao pé de seu ouvido.

- Não, eu não quero.

A voz dele era de dor. Ela o escorou ao corrimão bem no início da rampa. Ele olhou para mim. Baixou a cabeça. Fitou o chão. Vi nele o mesmo olhar de vovó quando adoeceu. Um olhar que expunha sentimento de vergonha pela dependência crassa de tudo e de todos. Engoliu seco. Fechou os olhos. Nesse instante vi movimentação no topo da rampa. Finalmente enfermeiros. Enfim enfermeiros. Enfim.

Ele não olhou mais para mim. Enquanto eu ainda esperava meu propósito, permiti-me encostar a cabeça no volante do carro. O sol estava indo embora, mas deixava para trás a dor daquele velho homem em meu peito.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

O que eu sinto...

Eu sinto muito que você não sinta como eu sinto o que tem para sentir

Eu sinto que você não quer sentir o sentimento puro que traz o contentamento e não entendo o porquê desse seu querer

Eu sinto você distante e ao mesmo tempo tão perto que dá até para sentir sua respiração ofegante

Eu sinto que às vezes você gostaria de sentir o que eu também sinto

Você só não sabe que o meu sentimento nem sempre é bom, pois sinto que tenho que sentir mais e mais

É... Eu sinto medo e sinto que você sente muito mais medo do que eu

Sinto que você acha estar sob proteção em relação a mim

Mas essa proteção é construída por sentimentos que não foram sentidos por completo, e te digo que são sentimentos bobos, pois assim não podemos acrescentar nada quanto ao que sentimos

Sinto que poderia ser tudo bem melhor, pelo simples prazer de sentir

Eu sinto isso tudo em relação a você.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Vai entender...

Eu não gosto de mudanças
Gozado... Sou Gerente de Mudanças.
Durante uma época não podia sentir o cheiro do café
No entanto, amo café e pão com margarina... Lembra minha infância, minha avó e tanta coisa mais.
Às vezes não tenho muita curiosidade em lugares novos
Mas estou cá a conhecer Londrina e o bom é que tenho guia.
Não gosto muito do sol tão quente
Mas prefiro assim à muitos dias seguidos de chuva... Eu fico pior.
Cidade arborizada
Gente branca demais, mas à noite a cidade é escura... Será que há amargura?
Acho que não sou mais romântica, só carente.
Não sou mais tão jovem, mas as pessoas acham.
O espelho não mente... Estou ficando velha sim, mas sem cena e quase sem rugas.
Não tenho preocupação com minhas rugas, só com minha conta bancária.
E às vezes é por causa dela que tenho rugas.
Vai entender...

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Do outro lado da rua

É bom ver a luz do dia no final de um longo período de trabalho. Há muito eu não fazia assim. Tenho prestado atenção nisso, pois os dias têm ido de forma muito rápida e eu preciso ainda viver.

Segui pela calçada da esquerda. Meu carro do outro lado, um pouco mais abaixo. O trânsito que a rua não comporta estava parado. Fui descendo devagar, sem pressa para alcançar o carro. Uma caminhonete preta chamou minha atenção. A loira ao volante chorava ao celular. Parecia uma briga de amor. A fila andava quase nada, e eu, do outro lado da rua, acabei ultrapassando o carro dela sem precisar fazer nenhuma manobra complicada.

Alguns moços que dividiam a mesma calçada comigo no sentido contrário, também perceberam a situação. Ao verem a loira que gesticulava e tentava explicar o que parecia não haver explicação, riram. Eu apenas acompanhei de longe, sem rir, sem julgá-la. Apenas pensei se quem estava do outro lado da linha merecia realmente todo aquele desespero.

sábado, novembro 08, 2008

Terceto dos meus dias

Às vezes esbarro em coisas que julgo já ter visto
Aqui também caiu uns pingos...
Ontem muitos pingos...

Mercado
Pedintes na porta
Do lado de dentro povo desalmado

Comprei desalmadamente uma caixa de crunch
Só porque junto vinha um DVD de jogos
Mas nem gosto tanto de jogos.

Fiz Moqueca Capixaba para o almoço.
Ai... Vou contar... Aff!
(Quase) Moqueca Capixaba... Coloquei leite de coco e ficou muito bom.

Tenho trabalhado 12 horas por dia
Cabeça quente
Mas a orelha fria.

Coração cercado
Apertado
E finalmente apanhado.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Pois é...

Pois é...

A vida é assim

Num dia a gente morre

No outro também.

sábado, setembro 27, 2008

Por falta de opção

Andei pensando...

É melhor que eu me mantenha presa.

A liberdade me mataria.

sábado, setembro 20, 2008

Para você

Parece só uma tatuagem
Mas são meus olhos apertados de saudade
Por você não estar lá

Então me viro do avesso
Penso no começo
E começo a relaxar

"...and I miss you every day
Your Smile
It´s your smile
That makes me feel free

It doesn´t matter what they say
Because I love you
and I´m sure I will love you
For the rest of my days."

domingo, setembro 14, 2008

Meu mundo

Semana passada sonhei que o mundo era meu.

Enquanto sentada, olhando para o mar, pensei que poderia dividi-lo. Eu no meu mundo... Criando outros mundos... Como numa divisão celular. Que louco!

Criei vários mundos, todos com uma certa medida de perfeição. É que meu mundo não era perfeito.

Quer conhecer meu mundo?

terça-feira, agosto 26, 2008

Será o fim?

- Eu estava louca para sair daquele tumultuo, definitivamente não era um dia bom. Tanta gente, e eu ali me sentindo perdida. Há muito você havia fugido da minha vista. Às vezes acho que sempre incomodei você. Ah, sei lá. Sempre que você estava perto parecia querer estar longe.

- Eu? Eu não. De onde você tirou isso? – ele protestou.

- Deve ter saído da minha cabeça torpe. – ela riu.

- É. Só pode. – ele riu também.

- Mas você me conhece, sabe como sou... Não gosto de perder tempo. Então peguei as chaves do meu carro e caminhei disposta a sair dali.

- Eu me lembro. Foi nesse momento que avistei você. Eu te chamei, mas você nem olhou para trás.

- Eu tava muito puta. Puta comigo mesma por querer tanto você. Eu não queria olhar mesmo, queria nunca mais te ver.

- Eu sei. Quando você fica puta não tem conversa. Sei que quando você decide que não quer... Daí não quer mesmo.

- Pois é. Eu sou assim mesmo. – Constatou a jovem mulher – O que te deu naquele dia? Você praticamente se jogou dentro do meu carro!

- É que eu sabia que depois de tudo você não me quereria mais. Sei o quanto você é orgulhosa e decida. E naquele dia eu percebi que você não me perdoaria mais como das outras vezes.

- É... Não mesmo. Sem chance.


*


Naquele fim de tarde ela ligou o carro, e quando prestes a acelerar de modo a partir, ele instalou-se com ar de desespero.

- Aonde você vai?

- Vou pra casa.

- Mas agora?

- Eu já deveria ter ido. – disse ela quase sem nenhum sentimento na fala.

- Você está brava?

- Não. – dessa vez respondeu com certa medida de sarcasmo.

Ela, de saco cheio dele, completou:

- Acho melhor você ficar por aqui mesmo. Tô afim de voltar pra casa sozinha. Além disso, tua família precisa de você, teus amigos precisam de você, teu cachorro precisa de você...

- Mas hoje eu vou com você. – ele era teimoso.

- Se quer ir mesmo comigo, insisto que permaneça calado, pois hoje não quero ouvir mais nada, nem ninguém. – ela forneceu-lhe as instruções.

Ela acelerou e saiu rasgando o vento. Fez o percurso de 30 quilômetros pela BR que ligava uma cidade a outra. Aproveitou a volta como quem aproveita um passeio gostoso de domingo. Umas das mãos no volante e a outra do lado de fora da janela cortando o vento. Ele, que sempre fora tão irresponsável, tentou convencê-la a não fazer aquilo. Entretanto, ela o lembrou sobre o tal silêncio, estado em que ele deveria manter a si mesmo.

Finalmente chegaram. Ela foi logo indicando a ele o quarto de hóspedes. Dormiu sozinha, tranquila, feliz. Ele não conseguia deixar de pensar no quanto ela significava para ele, assim, de repente, de uma hora para outra.

sábado, agosto 02, 2008

A Bolinha

Há um tempo atrás eu tinha uma Bolinha
Eu brincava com ela
Pra lá e pra cá no quintal

A Bolinha era fofinha
Gostosa de apertar
Rolava pelo quintal inteiro comigo

Manhosa Bolinha
Carente
Dava-se bem comigo

Lembro-me do seu latido
Quase sofrido
Pedindo minha atenção...

(Qualquer semelhança deveria ser mera coincidência)

Quando vou aprender a lidar com a perda?

quinta-feira, julho 31, 2008

E do que eu preciso mesmo?

A vida ficou meio chata
Muito trabalho
Pouco descanso
E eu aguentando o tranco

Gosto de uma boa briga
Mas há muito meus inimigos nem me intrigam
São previsíveis
Quase invisíveis

A vida ficou monótona
Como estrada sem curvas

E do que eu preciso mesmo?

terça-feira, julho 15, 2008

Meus meios

Depois de sair do meio da cama onde sentada eu estava
Fui até o meio da casa... Pensando...
E no meio de tantos pensamentos que me devoravam na madrugada
Pensei em devorar o bolo que descansava bem no meio da geladeira
Frio...
Sem sentimentos
Nem notou minha presença no meio da cozinha
Ordinário
E além de tudo engorda!!!

Minha ansiedade bem maior
Devorou o pensamento gordo que me afligia
No meio de um ataque hipócrita de consciência que tive
Saco!
Não quero mais ter consciência
Porque no meio disso tudo
Ela sempre me devora

E não tenho mais meios para lutar contra isso.

quarta-feira, junho 11, 2008

Chá para Seu Alberto

Ele estudava biologia numa universidade pública. Não gostava de trabalhar, mas, o emprego de jardineiro na mansão dos Almeida foi o único meio que encontrou de pagar suas despesas.

Certo dia, os Almeida tomavam sol em seu belo jardim. Refrescavam-se tomando suco enquanto conversavam futilidades ao passo que o rapaz trabalhava logo ali.

- Não gosto dele, Alberto.

- Deixe de implicar com o rapaz, Aurélia.

Os olhos de Aurélia mostravam a Otávio o quanto ele era detestado por ela. Era um sentimento injustificado. Ela simplesmente não havia gostado dele. E para Aurélia era assim que funcionava. Ela era uma mulher imponente, implacável, que valorizava a boa aparência. Quarenta e dois anos, contudo, parecia ter trinta. Otávio era lindo, e talvez fosse somente por isso que ele ainda permanecesse trabalhando naquela casa. Nada como gente bonita servindo, agüentar a pobreza era algo difícil, mas a falta de beleza era, sem dúvida, um pecado imperdoável dentro das concepções de Aurélia.

Alberto tossia incessantemente quando Aurélia adentrou.

- Você precisa ver seu médico. – disse ela.

- Me deixa Aurélia. Me deixa. – retrucou Alberto sem paciência.

Na verdade ela não se preocupava com ele. Mas era importante deixar Alberto pensar que ela se importava, afinal, era ele quem sustentava seus luxos.

Aurélia passou a freqüentar o jardim sem a companhia do marido. Alberto convalescia já por algum tempo, mas sem muito sucesso. Passava muito tempo dentro do quarto, sempre muito irritado por causa do mal que lhe afligia. Ela estava cansada daquilo. O péssimo humor de Alberto aumentava a cada dia e ela procurava evitá-lo. Por isso, passou a permanecer mais tempo em outras partes da casa. Mas, para seu infortúnio, Alberto, com a ajuda do enfermeiro, sempre acabava chegando até ela. Certo dia, completamente consumida pela instabilidade emocional do marido, lembrou-se que há muito não ia ao jardim. Atinou que o lugar parecia ser seguro, pois Alberto em seu estado debilitado, provavelmente não desceria até lá. Já na entrada principal, avistou Otávio que cortava a grama. Resolveu deitar-se na espreguiçadeira. Otávio, sem se distrair, notou os olhares de Aurélia. Decidiu parar um pouco, pois o sol estava muito quente. Pegou a garrafa d’água e andou em direção a uma grande árvore no meio do jardim. Deixando a mulher sem visão privilegiada, tirou a camisa e se refrescou com a água. Aurélia, que o observava de longe, achou aquilo um insulto. Como poderia um empregado ousar ficar tão à vontade em seu jardim? Levantou-se e seguiu para dentro da casa decidida a despedir o rapaz. Contudo, não estava habituada a lidar com esse tipo de coisa, já que Alberto era quem contratava e demitia funcionários quando necessário, além de cuidar de todas as outras coisas. A única coisa que Aurélia sabia mesmo fazer era gastar o dinheiro do marido: vestidos caríssimos, jóias esplendorosas, viagens pela Europa, o prazer de saborear uma Golden Bon Vivant ao molho de um Château. Coisas maravilhosas que, certamente Otávio e nenhum outro empregado daquela casa, jamais poderiam experimentar. Portanto, decidiu que aquele insolente permaneceria até que seu marido tivesse condições para chutá-lo de lá. E assim prosseguia Aurélia, vítima de si mesma. E o tempo que levou para que se sentisse completamente louca, apaixonada e dependente de Otávio, nem ela mesma soube precisar...

O rapaz também se mostrava apaixonado e correspondia aos afagos de Aurélia enquanto Alberto ficava cada vez pior. Otávio passou a dormir na mansão, nas dependências de empregados. Mas, na calada de todas as noites se deleitava com Aurélia. Ela não media esforços e ultrapassava qualquer limite para encontrar-se com o amante, mesmo que isso, muitas vezes, despertasse a desconfiança dos outros empregados. Isso significava trabalho para Otávio, que depois tinha que gastar seu latim com a criadagem apagando as pistas deixadas por Aurélia. O sorriso do rapaz lhe garantia aliadas. Não era difícil para ele convencer as empregadas da casa. Era a palavra de um deus grego contra comentários infundados de empregados invejosos. E tudo ficava bem.

Algum tempo se passou e o médico de Alberto trazia boas notícias. Era só uma questão de tempo, pois a doença havia regredido, e ele voltava a sentir sinais de vida em seu corpo. Agora tinha vontade de se alimentar, e seu humor melhorava a cada dia. Isso passou a preocupar Aurélia que, perdidamente apaixonada por Otávio, não mais poderia manter seus encontros amorosos com a progressiva melhora do marido. Foi quando Otávio resolveu prestar ajuda providencial a Aurélia.

- Há uma planta. – disse ele com voz branda e macia.

Aurélia, apagando o cigarro, voltou toda sua atenção para o belo moço. E ele prosseguiu:

- Datara Michel. Seu princípio ativo é Alcalóide daturina. – disse ele.

Aurélia ficou perplexa, em choque. Não conseguia dizer uma palavra sequer. Notando a reação dela, o esperto rapaz mudou o discurso.

- Desculpa Aurélia. É que te amo tanto... – disse o rapaz derramando uma lágrima.

Ficou encantada. Nunca ninguém havia falado de amor para ela daquela forma. De fato, era a primeira vez que alguém a declarava amor, visto que ela sempre fora mesmo insuportável. Tomada de emoção, disse ao rapaz que providenciasse o que ele tentava lhe explicar. Ela evitou saber detalhes, pois sua consciência a constrangia. Por isso, não quis se inteirar de pormenores. O que ela também nunca soube é que Otávio sempre fora um menino mau desde a tenra idade. A mãe sempre o defendera de tudo e todos. Muito embora soubesse que Otávio fosse, por trás daquele rostinho de anjo, uma criança maquiavélica. Entretanto, seu amor de mãe era incondicional e tão grande a ponto de seguir criando aquele belo monstro.

Aurélia mandou a cozinheira preparar carne ao molho de ervas, pois era um dos pratos favoritos de Alberto. Ordenou também que a mulher colhesse as ervas do quintal, pois para o bem-estar de Alberto seria melhor usar temperos naturais, nada industrializado. Chegando à horta, a cozinheira viu Otávio colhendo, entre outras coisas, ervas. O sorriso do rapaz para aquela senhora, sem dúvida, mostrava o quanto tudo que havia colhido estava à disposição dela. Com outro sorriso a mulher retribuiu a disposição de Otávio em ajudá-la. Mal sabia ela que, misturada às ervas, havia um tanto de sementes da planta mortífera, a tal que Otávio havia mencionado em conversa com Aurélia.

*

Depois do enterro de Alberto, Aurélia quis ficar sozinha. Pediu que Otávio se afastasse um pouco, limitando-se apenas às dependências dos empregados. A consciência de Aurélia cobrara um valor bem mais alto que ela havia imaginado. Mas depois de duas semanas ela sentiu saudades e voltou a ver o rapaz. Mais um ano e ele já não era mais o jardineiro. Cuidava de tudo para Aurélia. Tudo aquilo que antes era administrado por Alberto, agora era responsabilidade de Otávio.

E mais um ano se passou... Otávio tinha tudo como havia planejado: procurações dando a ele poder de decisão sobre tudo. Então, propositadamente passou a promover atividades que lembrava Aurélia a presença de Alberto. Pedia à criadagem que colocassem a mesa do café com três lugares. Recebia Aurélia à mesa com um abraço caloroso e dizia:

- Café para mim, para você e chá para Seu Alberto.

As manhãs no jardim eram as que deixavam Aurélia mais deprimida. A cada dia que passava, Otávio conseguia fazer com que ela ficasse pior. Desgostosa e cheia de culpa, ela parou de fazer as coisas de sempre: compras, festas, maltratar os empregados... Parou de comer. Parou de ser Aurélia. Definhou. Aquela mulher tão bela não foi reconhecida em seu caixão.

Aurélia não tinha herdeiros, por isso, Otávio não teve maiores problemas em colocar as mãos em todo o dinheiro. A causa da morte de Aurélia, para toda a cidade, incluindo a polícia, foi somente depressão. Sofrimento pela perda de seu amado, querido, imaculado marido: Alberto.

quarta-feira, junho 04, 2008

Feline

De tanto te olhar
Comecei a ver o que não devia
Dor e alegria
Paradoxo de uma noite fria
Que não quer acabar.

terça-feira, maio 27, 2008

Na avenida

Bem no meio da avenida
O amor me encontrou
Olhou para mim
E questionou-me quanto à seriedade que pairava em meu rosto

Eu não havia me dado conta de que era assim que eu aparentava
Tentei me justificar dizendo que havia sido dessa forma desde a minha infância
Ele me disse que não conseguia aceitar isso muito bem
Que se sentia infeliz ao meu lado
E que freqüentemente era machucado
Pela minha falta de entusiasmo

Eu olhei a minha volta
Mas nada reconheci
Nem o amor
Nem ninguém

Olhei para o céu
Pedi a Deus que olhasse por mim
E fui embora
Sem me despedir do amor
Da multidão
Nem de mais ninguém.

sexta-feira, maio 09, 2008

Sobre amor e despedidas


Para Camilla.



Uma vez conheci uma mulher que chorava sem chorar. Esquisito, não é?! Mas é isso mesmo. Ela sofria de algo que não sei dizer o que é, e também não estou interessada, só sei que ela chorava sem que uma lágrima sequer caísse.

Eu nunca fui de chorar. Às vezes chorava sozinha, porque era mais confortável, porque gostava de estar sozinha e chorar. Porque chorar sozinha é melhor. É. É isso.

Quando eu amei de verdade na vida, comecei a chorar bastante. A distância era um problema. Gastava todos meus tostões. Ele também. Mas pior que gastar os tostões eram as despedidas. Nunca gostei de despedidas, sempre segurava o choro. Mas quando amei de verdade... Chorei copiosamente, com gosto amargo na boca. Chorei no meio de um monte de gente. Me estranhei. Sou estranha. Naturalmente. Contudo, chorar no meio da multidão já era demais. Mas não foi somente dessa vez... Não... Na verdade, no início eu só chorava depois do primeiro quilômetro. Depois veio a fase de chorar em casa, aos beijos, sob juras infindáveis de tardes quentes. E aquele gosto amargo sempre na boca.

Hoje eu também choro. Eu choro porque sinto falta das despedidas. Eu choro porque às vezes quero ir sem me despedir. Sem dizer sequer um “tô indo!”.

quinta-feira, maio 08, 2008

E-E-Ego

E esta é a conclusão...

O Ego que não descansa
Insatisfeito sempre
Trançando linhas desconhecidas, sobretudo desconfortáveis
Pra quem ousou um dia desafiá-lo.

Ego cretino
Abomino você
Até o dia que eu morrer.

sábado, maio 03, 2008

Perdidamente

E as palavras eram escassas
Pensamentos incontáveis
Medo de viver constante
Amor latejante, secreto, eterno...
Passo em descompasso
Sempre...
Perdidamente.

domingo, abril 27, 2008

Momento amargo eternizado num instante

Quando de dentro do escuro do mundo
Você já não consegue enxergar mais a luz

Quando tua mão já no meio do caminho
Esqueceu completamente o que era pra ser feito
E tinha que ser feito...
É você e os momentos amargos de Thiago de Mello

Quando a noite cai
Sem que as horas tenham passado

Quando os sonhos mais ávidos dormiram
E você estava com insônia

Quando o dia se aproxima
E nada ainda mudou

Quando o mundo em volta
Acha-te como a causa
E tudo que você quer é uma noite de sono tranqüilo

E você começa a lembrar-se daqueles que passaram por você
Quando você sabe que o melhor seria esquecê-los

Quando você quer seu café sem açúcar
E dançar sem par

Quando o mundo acabou
E só sobrou você

Você...

domingo, abril 20, 2008

Amores Amigos

Depois de tantos dias fatídicos, a paz parecia ter voltado para ficar. Almoço de domingo sendo preparado. Ela meio irritada, porque ninguém é perfeito mesmo, e TPM atacaria até Deus, caso ele fosse mulher. Ele entendeu e ficou revisando umas coisas no computador, mas sem se esquecer da tal TPM, por isso esboçava um sorriso quase que de forma inconsciente. Ela colocando a mesa acabou surpreendendo-o daquela forma, sorridente. Riu também.

- Cê tá achando o quê? Se eu fosse como a Márcia seria pior!

Desta vez ele gargalhou. A forma descontraída como ela falava, relaxada, rindo de si mesma. Ele pensou em como ela facilmente se superava a cada dia.

- O gajo dela conversou comigo noutro dia. Me contou que tentou fazer um elogio bem romântico: “Como você consegue ser mais bonita a cada dia? Me diz!”. Ela, irritadíssima, perguntou por que ele gostava de brincar daquele jeito com os sentimentos dela. Obvio que ele não entendeu nada! TPM!!!

Os dois caíram na gargalhada, ainda comentando sobre o episódio enquanto comiam. De repente, foram surpreendidos pela música que tocava no computador:

“Ó meu amado
Por que brigamos?
Não posso mais viver assim sempre chorando...
A minha paz, estou perdendo
A nossa vida deve ser de alegria
Pois eu lhe amo tanto...”

- Uma vez me disseram que o amor é brega! – Ela disse sorrindo.
- Então quero morrer brega! – Ele confessou.

Riram juntos e ele a beijou sob o som de Diana, bregamente, singularmente, quase como se fosse a primeira vez.

domingo, abril 13, 2008

Coisas que me farão sempre amar você

Ela não sabe desde quando, mas o fato é que ele passou a duvidar do grande amor que ela sentia por ele. As boas coisas entre eles foram se tornando fatídicas. Isso pesava demais sobre ela. Entendo que isso também tenha pesado muito sobre ele. Mas claro, tinham formas diferentes de sentir, o que muito naturalmente causava alguns desencontros.

Certo dia, em meio a algumas tristezas, ela pegou o bloco de notas entre os livros e sua caneta predileta, a que mais usava para escrever. Empunhada, começou a deslizar sobre letras e linhas. E estas diziam assim:

"Coisas que me farão sempre amar você:

O jeito que você me olha, seus olhos verdes.
O jeito como você anda e gesticula.
Sua pele branca.
O seu sorriso, aquela minha tal amizade de todos os dias.
Quando você me chama de seu bebê.
Quando você diz que me ama mais que tudo.
Quando você me diz que se me pegar com outro me mata, mas nunca me deixará por isto!
Quando você faz sua única especialidade na cozinha: sopa de legumes.
Quando você diz que minha comida é a melhor do mundo.
Quando você brinca me chamando de Mina.
Quando você..."

O fato é que ela não conseguia parar de escrever. Havia muita coisa, muita coisa. Quando terminou de escrever o que parecia não ter fim, exausta, deixou o bloco aberto sobre a mesa para que ele pudesse ler e entender o quanto sempre foi amado.

segunda-feira, abril 07, 2008

Amor vassalo

Amor vassalo
Que nesta manhã
Tão amargo
Me matou e quase morreu.

domingo, abril 06, 2008

Quem é de quem?

Caos! Só consegui sair depois das quatro para tentar almoçar. Fui ao mesmo lugar, já esperando ver as mesmas pessoas. Mas... Nossa! Quanta gente! Bom, sábado é assim mesmo. Gosto de observar as pessoas. É tão engraçado. Quanta conversa! O colorido das roupas, os sorrisos, situações engraçadas, gente engraçada, é isso!

Sem nenhuma grande pretensão, me sentei mesmo perto do restaurante que escolhi. Não estava querendo andar muito. Sabe aqueles dias em que a preguiça bate e fica?! Meu sábado, com certeza, era esse dia. Olhei em volta e percebi o bonitão da esquerda. Ele sorriu. Hum! Eu também sorri. Estávamos nos sintonizando quando ela apareceu... Mas olha o vestidinho! Gente, na boa, sem noção. Um frio do cão e a biscate naquele tubinho preto, arrasando?! Ele olhou pra ela. Que ódio! Como assim? Prefere essa vaca a mim? Francamente poxa! Pensei tudo isso enquanto estampava, agora, uma cara parcimoniosa. Ela carregava uma bandeja. Deixou cair a carteira que apoiava no canto, perto do prato. Eu, quase que mecanicamente, fitei a cena. No fundo queria ver até onde ía a situação. A entubada de um lado e a encanada do outro. Será que ela havia percebido a rivalidade? Ele, que a essas alturas pra mim já era puto, se levantou e foi ajudar. Palhaço.

- Oi.
- Ah, oi. - ela se surpreendeu.

Agiu como se não tivesse visto ele antes. Como se estivessem cruzando o olhar pela primeira vez. Mas, além de tudo é cínica? Que vaca! Uma vaca bonita, eu tinha que me conformar, mas ainda assim uma vaca. O shopping cheio, ele quis ser gentil...

- Estou sozinho, quer se sentar comigo? - ele era só sorrisos.

Ah, me poupe! Agora já é demais! Não preciso ficar olhando isso. Decidi olhar para o lado contrário. Encontrei as plantas que ornamentavam a parte lateral da praça de alimentação e acabei me distraindo. Não vi o desfecho da história. Acabei de comer, paguei a conta na mesa, me levantei em direção ao grande corredor de lojas que me levaria até a saída. Eu só queria sair dali... Entretando, senti passos largos pelas minhas costas. Era ela. Nossa! O que será que o puto disse a ela? Bobagem, o alarme do carro dela deve ter disparado. Desencana!!! Decidi parar na próxima vitrine pra me certificar de que ela passaria logo por mim. Era só o que me faltava, né?! Parou na mesma vitrine que eu. Ai, meu Deus! Vai dar merda... Ouvi sua respiração ofegante ao meu lado, parecia nervosa, senti que tava olhando pra mim. Perto... Agora pertinho. Decidi olhar também. Ela disse:

- Você vem sempre aqui?

sexta-feira, abril 04, 2008

E a noite gelada sustentava seus pensamentos...

E para que todo aquele discurso aos vinte anos se tua pele tão branca não me deixa dormir nessa noite gelada? Tão gelada que como num efeito cascata congelou meu corpo, alma, mente e continua congelando tudo sempre.

Escuta essa música! É nossa há muito. Lembra de quando a gente escutou pela primeira vez?
Você me abraçou tão forte que se fecho os olhos ainda sinto...

E quando você dorme se torna meu espetáculo mais particular. Meu anjo branco, nítido, enviado para iluminar tudo em minha volta, para me dizer como é a vida que eu odeio viver, para me lembrar do que minhas mãos esqueceram de fazer quando já no caminho, e sobretudo, é o que vai me salvar de mim no final de todos os dias.

Senta aqui porque preciso te contar. Vem cá, não me deixa assim tão só nesta noite. Eu aceito até ouvir sobre teus antigos amores somente pelo prazer de estar. Fala do teu dia, dos planos, de qualquer coisa que quiser...

domingo, março 30, 2008

Acordo de acordes

Longe de tudo e de todos, ela em seu mundo e seu mundo nela. Tanta cumplicidade entre eles. O violão sabia o que ela queria escutar e tramava junto com mais dezesseis... Dedos e cordas, todos a faziam sentir o que as notas diziam. E as notas podem dizer muito. Uma clave de sol arrasta pensamentos... Junto com as outras pode arrastar a vida toda. Acordes que acordam pensamentos, lamurias, descontentamento... Acordes que acordam amores mal resolvidos de uma vida inteira. Acordes que acordam a velha-nova tristeza que sempre esteve lá, e que sempre vai estar.

E num dia de muita tristeza os acordes se reuniram e juntos disseram:

Acorde conosco que você vai pensar no verde das águas quentes desse Atlântico que está no Norte em que você vive.
Acorde conosco que sentirá a areia branca em seus pés sob esse céu azul que te protege.
Acorde conosco que acordará para se banhar na água doce que vem do coco, e que depois disso continuará carregando sua viola até o final da praia, e já no cais, presenteará os peixes conosco, seus acordes que te acordarão todas as vezes que você precisar...
Finalmente, acorde com estes seus velhos acordes de sempre que você vai tentar ser feliz, pelo menos tentar...

Ela tocou everlong com a cabeça escorada na caixa para ouvir bem os acordes.

Chorou.

sexta-feira, março 28, 2008

Sensações, movimentos e liberdade

Aquela voz deliciosa na música
Que não deixava o corpo dela parar...
Lentamente seguindo a batida
Se entregando ao ritmo
Fazendo bater o coração

Ele riu pra ela
Ela riu pra ele
Parece que os movimentos do corpo dela
No meio de tantos outros corpos
O convidava para vir
E ele veio...

Qradris
Movimentos vagarosos
Movimentos rápidos
Depois movimentos extasiados
Era a sensação boa invadindo a carne
Carnalmente feliz, quadris...

Depois de tudo, voou
120, 130, 140... Yeah! Born to be wild!!!
Sentia o vento nos cabelos que ajudavam escoar os pensamentos, medos e frustrações do dia
E que dia!!!

Aquela voz deliciosa ainda na cabeça
O corpo ainda pulsando, relembrando movimentos e também a velocidade com que voou
E ela voa sempre que quer porque é livre
Lembranças em flash
Pensamentos em slow motion
Cansaço...
Sono...
Adormeceu.

domingo, março 23, 2008

Trap ignored

Minha história é igual a de tantas outras pessoas que por estas ruas passaram. Esta cidade é muito grande, muito grande mesmo, mas eu não caibo nela. As ruas são estranhas e as pessoas também. Muito concreto... Muita gente... Muito carro... E muita coisa que eu nem sei descrever ou explicar...

Mas eu descobri tudo. Trata-se de um trap ignored: eu ando, vejo gente, dirijo meu carro, amo e odeio ao mesmo tempo tudo e todos, e depois volto pra casa achando que tudo vai ficar bem.

O alarme era falso e pode ser ignorado. Mais um dia se finda sob um pôr do sol ofuscado ora pela poeira, ora pela chuva.

sábado, março 22, 2008

O tempo e a poeira

Havia passado muito tempo fora de lá. Quando voltou encontrou muita poeira. Muita coisa para limpar. Mas havia ficado tanto tempo fora assim? Não pensou uma única vez sequer em designar alguém para limpar tudo aquilo em sua longa e tão temida ausência? Não existia ninguém com quem pudesse contar para fazê-lo?

A poeira formou uma cobertura espessa nos móveis e também no coração. Não foi capaz de encontrar ninguém que pudesse dar jeito naquilo.

Quer Docinho?

Docinho não era doce comigo
Docinho queria me matar
Latia sem parar
Até sua dona chegar

Eu achava um absurdo
Depois de passar por aquilo tudo
Com pressa andar
Pra Docinho não me abocanhar

Contudo fui mais esperta
Peguei minha bicicleta
E me dispus a procurar
O que Docinho iria amar

A falsinha virou minha amiga
Agora pede até pra eu coçar sua barriga
Pra um biscoito canino ganhar
Sem nunca mais rosnar

segunda-feira, março 17, 2008

Reflexo de um dia cinza

A chuva caindo
Levando meus pensamentos e ilusões

Piaf cantando
Fazendo-me rir, depois me sentir culpada e finalmente chorar

Agora eu e a chuva tão iguais como nunca antes.

Não me olho no espelho em dias assim...
Não quero.

Aleivosia em terceiro grau

Eles moravam juntos, os três. Amando fazia engenharia, João letras, Henrique fazia tipo. Perdidos na cidade nova, primeiro ano na Universidade, sem muitas opções ficaram amigos pelos papos de fim de semana.

Estavam indo bem apesar de algumas contas atrasadas. Tudo começou quando João contou:

- Ela é linda. Quero ela pra mim, ainda não sei como, mas vou pegar ela pra mim!

João estava apaixonado por ela, a menina do primeiro ano. Ele a conheceu durante o trote. Ficou tão encantado que acabou salvando-a dos ovos, farinha e daquela babaquice toda.

- Nossa! Obrigada! – agradecia a moça docemente.
- Magina! – dizia João encantado, sem tirar os olhos dela.

Trocaram telefone. Ele prometeu a ela que a apresentaria o campus. Conversaram sobre seus autores prediletos e ficou certo que ele a explicaria todo o trâmite da biblioteca. Sim, as letras os aproximaram e muito. Ele estava apaixonadíssimo, foi assim desde aquele primeiro dia. Ela não. Por isso, mesmo percebendo o quanto havia se tornado importante na vida de João, ela evitava assuntos que criariam oportunidades para ele se mostrar. Ele era para ela um grande amigo de todas as horas. E era bom tê-lo por perto.

Fim de semana chegando e os meninos iriam para casa. João achou que seria uma ótima oportunidade para passar o dia em casa com ela. Cozinharia:

- O que fará no fim de semana?
- Nada. To sem planos – disse a moça.
- Vou te esperar em casa. Você vai experimentar minha especialidade!
- O quê? – perguntou curiosa.
- Surpresa! – Ele nem sabia ainda o que faria. Claro que ligou para a irmã, Clarice, que o ensinou passo a passo como fazer macarronada de domingo num sábado. Bom, era a coisa mais fácil para se aprender de sexta para sábado!

Os meninos passaram a noite de sexta rindo do nervosismo do rapaz. Sábado Amando saiu cedo. Henrique acordava tarde, então demorou mais. João deixou tudo a postos na cozinha. A moça chegou perto das onze. Henrique praticamente de saída, já perto da porta, fez o favor a João que se preocupava com a comida.

- Oi – disse tímida.
- Oi, entra. João ta na cozinha – informou Henrique muito simpático.

Ela se encantou com Henrique. Ele, muito cafajeste, não economizou charme. Era assim com todas. Não seria diferente com ela. Por conta de um rabo de saia movia céus e terra. Foi exatamente o que fez. Inventou uma dor e não foi visitar os pais naquele fim de semana. Ficou. Como bom cínico que era, fingiu querer ficar no quarto. Ela não poupou esforços em mantê-lo à mesa.

- Magina, não vai ficar sozinho. Vai ficar com a gente aqui, certo João?

João sem opção disse sim. Fazer o quê?! Mas esse fato foi desgosto pouco. Segunda-feira, bastante indisposto, saiu mais cedo da aula. Não havia avistado ela naquele dia, o que tornou a bateria de aulas mais enfadonha do que assisti-las com a tal indisposição física. Chegou em casa e deu graças a Deus. As luzes apagadas evidenciavam que não havia ninguém. Isso seria ótimo. Sem delongas com Amando, sem a música infernal de Henrique. Abriu a porta, acendeu a luz da sala...

- Meu Deus! – disse a voz feminina assustada, desconsertada, nua... – Você disse que... – continuou, mas sem conseguir terminar.

João ficou sem reação. Parado ali naquela maldita porta. Baixou a cabeça, olhou o chão como se estivesse pedindo socorro. Contudo, simplesmente apagou a luz da sala, seguiu pelo corredor, abriu a porta do quarto, fechou. Silêncio...

Henrique, pela primeira vez na vida, sentiu o pesar de sua própria cafajestice. Havia traído a confiança de um amigo querido, que, sobretudo confiou a ele e também a Amando a paixão que nutria pela moça.

- Sai – disse ele.
- Como é? – ela estava perplexa. Afinal de contas tinham acabado de fazer amor. Ela ainda não entendia que para Henrique aquilo era só mais uma trepada entre tantas.

*

João mudou seu turno no trabalho. Agora comparecia às aulas pela manhã, não mais à noite. Ela se sentiu profundamente só depois disso. Tentou, sem sucesso, contato com João. Ele não atendia o celular, e freqüentemente mudava o trajeto, para de jeito algum encontrá-la. Ela descobriu da pior forma que João era a companhia perfeita. Sentia falta de ir à biblioteca com ele, dos papos na cantina, da companhia dele depois das aulas. Caiu em depressão profunda.

Henrique foi também ignorado por João. Não agüentou conviver com o desprezo do amigo e com o remorso da traição. Acabou se mudando da casa dos três, foi para outra cidade, outra universidade. Nunca mais esbarrou em João e muito menos nela.

João seguiu a vida. Conheceu uma menina legal no novo turno de trabalho. Casou-se, e de vez em quando a vê de longe com as crianças quando leva seus filhos ao parque. Ainda não sente vontade de falar com ela muito embora os olhares dela estendam um convite amistoso para isso.

sábado, março 15, 2008

Momentos

Fim de tarde sempre foi triste para ela. Uma tristeza quase sem motivos. Era quando ela fechava os olhos pra sentir a brisa gelada, a maresia. Era quando começava deixar evidências do quanto o queria ali. O vento nos cabelos afastava o excesso do momento. Ela sempre evitou excessos. Não que ela fosse contida, só prudente.

Por vezes, coincidentemente, se encontravam pela areia: sorrisos. Brincadeiras: fingindo breguice corriam um na direção do outro errando o abraço. Ele fingia ser a falta de seus óculos, jogando assim as lentes de lado. Cansados, sentavam na areia e se perdiam olhando o horizonte. Muitas vezes ficavam lá até a lua nascer. Lua magnífica, nascendo de dentro do mar, eternizando o instante.

Diziam que eram esquisitos, mas o fato é que gostavam das mesmas coisas: andar pela areia da praia deixando a água tocar os pés, bicicletas e mochilas no carro rumo a algum lugar estranho, andar pelo vale perto de vacas, cachorros e bichos diferentes. Para as pessoas isso era muito esquisito mesmo, elas estavam acostumadas àquela vidinha medíocre, portanto, demonstração de felicidade era coisa esquisita.

Ele sempre esteve muito convicto do que queria. Ela só o queria. Com o tempo tudo ficou esquisito de verdade. Mas coisas boas ficaram, momentos singulares realmente se eternizaram. Até hoje, mesmo tão distantes, levam com eles as boas lembranças de tudo que viveram juntos.

Cadê todo mundo?!

- Cadê todo mundo?! - perguntou ela rindo, completamente bêbada.
- Ah?! Tá louca? - respondeu a melhor voz do mundo ao lado dela.
- Mas você perguntou isso pra mim! Não tô loca! - insistiu a mulher ainda rindo.
- É a segunda vez na vida que te vejo bêbada. Ah, mas deixa pra lá. Você está alegre, ótimo ver você assim! Não é sempre... - disse sua melhor companhia se admirando e também já pegando as chaves do carro.

sexta-feira, março 14, 2008

De Maria

Entre um e-mail e outro, disse Maria, mãe de Heitor que confundo com Arthur (Vou te destruiiiiiiirrrrrr):

"Ah, você esqueceu o aniversário da Gláucia (26/02), o meu (28/02), portanto esqueça o da Adriana (02/04) para ficar tudo igual, ok??"

Casual

Como de costume saiu para jantar às sete. Estava de saco, sempre a mesma coisa: vai ao shopping, escolhe um restaurante e degusta. Procrastinando a volta, começou a flertar com as vitrines. Numa fração de segundos os olhares se cruzaram. Coraram. Apesar da reciprocidade, seguiram seus caminhos. Naquela noite adormeceram em pensamentos e sonhos bons. Será que se cruzariam mais uma vez?

Acordaram radiantes.

quinta-feira, março 13, 2008

Dançando kung-fu fighting

Começou a quinta-feira no ritmo de sexta
Dançando kung-fu fighting sem se importar com a opinião dele
Esquecendo de quase tudo
Totalmente alheia a qualquer problema
Bom demais!

quarta-feira, março 12, 2008

O nome

No quarto escuro só o facho de luz vindo da pequena báscula, ali, iluminando todos os pensamentos que cabiam dentro dele. E eram tantos! A certa altura da madrugada se viu preso às coisas que pensava - velhas-novas tristezas, embaraços, e tantas mágoas - e surpreendeu a si planejando a própria morte. Em meio a tanto, de mansinho, foi se lembrando do tal nome que pronunciava quase nunca. Do nome que evitava até pensar, pois era mesmo o motivo das tais noites mal dormidas e daquele friozinho inesperado na barriga.

Mas não era isso o melhor sinal da vida? Estar apaixonado não é viver intensamente? Não significava isso que ele permanecia na tal busca incessante?

As poucas sílabas o remetiam ao carinho, ao desejo, e enfim ao contentamento.

Adormeceu feliz.

terça-feira, março 11, 2008

Pesadelo de domingo

A sua última paixão descartável havia lhe retirado o ânimo. Recusou todos os convites para as baladas do fim de semana. Contudo, resolveu comparecer no churrasco de domingo promovido pelos vizinhos.

Lembrando-se do tal gajo, meio que sem perceber, começou a entornar muitos goles, justo ela que era de poucos [Filho da puta! Quem ele tá pensando que é?!]. Como já estava tonta, foi ao banheiro lavar o rosto na esperança que a água pudesse clarear suas idéias. A porta entreaberta deixava o pequeno rapaz observá-la. A pouca percepção que ainda restava nela, notou-o [Mas que moleque demônio!!!]. O vestido colorido, apropriado para o dia de sol, valorizava as belas pernas da moça, e prendia a atenção do mocinho [Taradinho!] que desde o início da comilança a seguia. Acabou derrubando o copo de cerveja que a acompanhou até o banheiro [Putz! Tinha que foder, né?!!!] Ela não tinha condições físicas para limpar a merda. Saiu do banheiro e esbarrou na velhota que passava.

- Bebeu demais, heim mocinha?! - disse a velha repreendendo a moça, que teve uma crise de riso ao fitar-lhe o rosto, mas justificou:

- A senhora é a cara da minha tia! Tia Cotinha. Devaaaaaassa! - ria a moça descomedidamente.
A velha virou o rosto em sinal de repulsa ao que a moça dizia e seguiu para a cozinha [Essa não me enche mais o saco!].

O papo perto da churrasqueira estava animado. Seguiu para lá. Talvez, se beliscasse algo da comezaina, pudesse melhorar da bebedeira.

- Gabriel! - era o churrasqueiro - Mês que vem teremos outro churrasco, é aniversário dele [Então quer dizer que o demônio tem nome de anjo???!!!]. Ela deu um sorriso sem graça, meio indiferente ao entusiasmo do homem, pensava somente em suas conclusões.

- Qual será o tema do bolo? - continuava o homem que já ria - Meninas super poderosas, né viadinho?!!![Só se elas estiverem peladas, claaaaaro!!!] O homem gargalhava, ela ria por dentro. O menino quase homem, tão platônico para com a nova moça da vizinhança, corou, fez cara de bravo, entrou e bateu a porta. Deu para ouvir do lado de fora o estrondo causado pela batida [Pelo menos o anjo-demônio-tarado vai dar um tempo!].

Por falta do que dizer, acabou dizendo interjeitivamente:

- Mas que calor!!!

Bastou isso para que todos os homens lhe voltassem a atenção. Água fresca, cadeira na sombra, cerveja gelada... [Meu Deus! Já não posso mais com isso, aff!] Eles babavam sobre ela, o que começou a chamar atenção de suas loucas esposas, obesas, e insatisfeitas com os tais barrigudos. Foi quando uma das crianças que corriam de um lado para o outro, desastradamente, derramou no vestido dela um copo de refrigerante [Puta merda! Só pode ser revanche pelo banheiro!]

É claro que depois disso tudo não havia mais clima para ela permanecer ali. Um tarado, barrigudos babando nela, as esposas loucas e as crianças-demônio... Ninguém merecia, certo?!
Chegou em casa, tomou banho, dormiu. Acordou no final do dia achando que tudo não havia passado de um pesadelo. O celular tocou: era o gajo!

sexta-feira, março 07, 2008

Terceto de um (só)

Sem sono
Sem senso
Sem você (só)

Meus pés
Bolhas: ai!
Reflexo de um dia (só)

Sua resistência...
A alma pecando
Você dormindo (só)

Não vou me culpar
Não vou chorar
(Só) vou tentar dormir

quinta-feira, março 06, 2008

Dia atípico

Depois de dormir uma noite sem paz, levantou-se apressada. O plano era dar uma volta pelo bairro novo, mas sem a companhia dele. Remanescia ainda flashs de uma discussão que ainda não havia acabado. Temendo que ela recomeçasse no primeiro cruzar de olhares do dia, saiu de fininho, pela tangente.

Dia atípico. Ela nunca foi de caminhadas. Bicho preguiça mesmo. Mas o dia, pensava ela, poderia ser bom. Andando pela rua principal viu a lotérica e entrou, fez uma aposta. Atipicamente. O sol bastante quente e a lan house ali. Ar condicionado tava virando vício. Essa coisa de trabalhar lado a lado com as máquinas deixam as pessoas esquisitas. Olhou através do vidro, mas não havia ninguém. Notou o menino encostado na mureta, que logo a abordou dizendo:

- Eles nunca atrasam. Hoje, não sei o porquê...

- Atipicamente... - disse ela.

- Quê? - disse o menino em dúvida sobre o vocábulo.

- Nada não - disse ela saindo meio sem paciência.

Continuou andando, pensando no quanto o dia ainda poderia lhe render. Atravessou a rua a procura de sombra. Passando pela calçada curta, tomou um susto por causa do rapaz:

- Viaaaaaaado! - gritava o troglodita [Hummm, bonito!] para o amigo do outro lado da rua.

Mas tinha que ser nos ouvidos dela?! Arianos são um problema quando irritados. Olhou-o de forma que ele pôde pressentir o quanto corria perigo de morte, ali, naquele momento. Ele se calou. Ela seguiu indignada, mas no salto, sempre vestida pra matar [atraente ele]. Só não contava com uma coisa: um tropeço.

- Se a princesa quiser ajuda, aqui - disse o troglo com um sorriso besta na boca.

- Se você quiser ir pro inferno eu mando - disse ela já se recompondo, furiosa [mas que gostosinho ele].

Ele riu, claro!!! Ela decidiu seguir com aquele ódio básico, mesmo achando ele interessante, sabendo que ia ser perda de tempo ficar por mais tempo ali. Pela boa moral é recomendável que não se saia dando pra qualquer um na rua. Assim ainda dizia seu bom senso... Andando por cerca de mais 1 km finalmente achou uma lan [Não tem ar condicionado, mas que droga!]. A moça pediu a identidade.

- Mas menina, quem sai pra dar uma volta e leva identidade?

- A cidade de SP inteira?! - sarcasticamente a atendente dizia.

Ela se segurou para não quebrar a cara da moça ali mesmo. Respirou fundo, e quando já fazia menção de sair a moça decidiu liberar um computador. [Ah, já aqui mesmo, ?!] Como o humor já tava estragado, depois de meia hora decidiu ir embora. Mais 1 km de volta, quase outro tropeço. [É hoje!] Agora indo pra casa, lembrou que seria inevitável, pois ele estaria lá.

Ao chegar em frente ao portão constatou que havia perdido uma das chaves. [C-A-R-A-L-H-O!!!, era só o que faltava!!!] Mas não era. Ela tinha que cismar de pegar o carro e fazer o caminho de volta na inútil esperança de achar a maldita chave perdida. Ao tentar desviar da filha abelhuda do vizinho - que naquele exato momento tinha que bisbilhotar o que ela estava fazendo às 11 horas na garagem de 90°, sem cobertura, alugada, num sol de lascar - bateu no muro, depois no portão e quase na cara da vizinha curiosa do lado direito, que fez questão de sair até a calçada... Enfim, uns 600 reais acho que pagaria tudo. [P-U-T-A Q-U-E O P-A-R-I-U, SUA VACA] Então ela desencanou [não poderia ter desencanado antes?!], ligou para imobiliária e o cara alto, magrelo, e sem humor algum, trouxe a chave. [Aff!]

Enfim dentro de casa. Ele estava acordando...Não se falaram. Ela se aprontou para ir ao trabalho, ele também. Ele não soube de nada, e ela tão pouco iria contar. [Quero ver quando ele olhar o carro!] Durante a tarde não trocaram telefonemas como de costume. Absortos no trabalho nem saíram para um café. Ela nas coisas dela, ele também.

quarta-feira, março 05, 2008

Clichê

No final das contas a verdade é que me flagelei à toa. É claro que há uma guerra entre letras, palavras, textos, páginas... Há guerra em tudo, e tudo está encoberto por scripts mal feitos e shells descompensadas. E tudo, tudo, tudo é tão clichê!
Já te disse que estou a procura de gente perdida? Gente perdida como eu: que se perde em palavras, pensamentos e também no verbo. Mas eu já disse isso antes, aqui mesmo. Clichê, né?!

terça-feira, março 04, 2008

"Retirem a jovem Elizabeth dos livros de história com suas estratégias políticas
Com ela também a devassa Carlota Joaquina
Prendam Lygia Fagundes Telles e suas meninas
Sumam com Lygia Bojunga que me deu tchau levando minha mãe embora naquele dia
Calem eternamente Cecília Meireles, poetisa da minha adolescência
Jamais mencionem Clarice Lispector e sua vã filosofia em tantas e tantas linhas
Arranquem Yentel das telas, pois agora só será permitido ilustres livros ilustrados
Afinal pra que servem as letras para uma mulher?
A gramática será permitida somente àqueles que possuírem pêndulos, mesmo que não a usem, sim, nem a gramática e nem os pêndulos
Matem todas as mulheres que pensam
Matem sem pena, somente deixando vivas as galinhas
O dó não é algo a ser cultivado, nem a verdade, nem qualquer coisa que seja casta ou pura
Detenham as mulheres de raciocínio lógico, pois isto se tornou algo inaceitável
Apenas deixem que elas desfilem com seus magníficos vestidos curtíssimos para eles
Façam os homens felizes pelo prazer carnal
Conceba machos para que possam perpetuar a vida de seus sobrenomes
Ó mulheres, desistam de ser mulheres."


Depois de escrever estas linhas num pedaço de papel, ela adoeceu e não foi trabalhar.

segunda-feira, março 03, 2008

Incondicionalmente dela

Eles trabalhavam no mesmo lugar. Uma sala enorme. Cada um em um extremo. Ele, sempre posicionado de forma a avistá-la com certa facilidade. Ela odiava isso nele, se sentia vigiada, presa, tudo que sempre abominou numa relação. E era justamente por isso que, apesar de dar umas escapadas com ele, ela não firmava nada. Ele ficava doente com isso! Tudo para chamar atenção, para mendigar e conseguir a atenção dela em domingos de sol. Em alguns momentos da espera e infindável solidão, ele se irritava:

- Mas que cadela!

Entretanto, segurava o choro quando ela finalmente atendia o celular dizendo que iria. Depois de umas três horas ela aparecia, linda! Ele, por sua vez, mesmo com toda aquela demora, ficava feliz. Observando cada gesto, cada movimento dela.


Em muitas ocasiões, ela o enxergava como um menino grande. E isso a tornava mais tolerante em algumas situações:

- Nossa, como é frio aqui. Vou rebootar o servidor 01. Dá uma olhada no servidor 02 pra mim? - falou ela já olhando para a máquina no gélido bastidor.

- Vou verificar o cabo - disse ele se encostando por trás dela, se aproveitando da solidão do lugar apenas habitado por máquinas.

- Olha a porra da câmera - disse a moça fingindo estar completamente alterada, mas no fundo achando engraçado.

Como cachorro molhado na chuva, ele colocava o rabinho entre as pernas e dava linha, já prevendo que poderia ter seus privilégios cortados quando saíssem dali: a perda da casinha, da mantinha e até da ração.

- Ah, isso não! - protestava quando pressentia que ela lhe daria um ninja.

E por muitas vezes ela nem aparecia mesmo. Sumia pela maior cidade da América Sul. Não atendia o celular, claro! E ele enlouquecia.

Numa segunda-feira ele preparou o troco. Ela passou por ele sem dispensar muita atenção. Ele muito puto, convidou a Márcia para almoçar. Depois do almoço se sentaram num banco próximo ao jardim que ficava na frente da empresa, onde era mesmo comum descansar depois das refeições. Ela passou e viu a cena que parecia ser tão íntima, e resolveu ir até lá. Sem olhar na cara da Márcia disse:

- Quero falar com você - ela não fazia idéia do que falaria.

- Depois conversamos - disse ele calmamente.

Dessa vez ela olhou para a Márcia e fuzilou:

- Dá licença? - bufando.

Ele riu sem deixá-la perceber. A Márcia, coitada, não entendeu nada. Porém, sem divagar, se foi. Ele permaneceu calado, sério, mas rindo por dentro. Enfim decidiu dizer, mas sem olhá-la ainda:

- E...?

Sentiu-se vingado. E sabia que a teria mansa por pelo menos uma semana. E era assim que acontecia entre os dois. Em meio a tantas coisas o tempo se foi... De uma forma bem natural, a necessidade de querer mais foi chegando, sempre muito mais para ele do que para ela.

- Quero morar junto - disse sério - Depois de tanto tempo juntando grana finalmente encontrei algo aqui perto - comunicou ele.

- Quê?! - disse incrédula.

- Quando posso buscar suas coisas? - perguntou ignorando a reação da moça.

- Nunca - respondeu ela.

E lá ia a coitada da Márcia ser convidada para mais um almoço!

- Ah não, não mesmo! - murmurou baixo, indignada com o convite dirigido à Márcia.

O fato foi que ele acabou indo mesmo pegar as coisas dela. A condição era que ele não pegasse tanto no pé dela. Isso significava ligar menos no celular, parando assim de querer saber todos os passos dela; significava também ficar menos doente em domingos de sol, e até sair sozinho com os amigos para um chopp.

- Tá aqui há muito tempo? - perguntou ele esboçando um sorriso.

- Não, acabei de acordar. Tive sorte, o sol vai se pôr agora - disse ela revelando um gosto que ele ainda não conhecia.

- Comprei sorvete hoje no mercado. Quer de chocolate ou de creme? - perguntou querendo agradá-la.

- Creme - respondeu gostando do sol morno que invadia a sacada.

Ela prosseguiu no sorvete enquanto assistia o espetáculo singular oferecido pelo sol. O sorvete dele derretia enquanto ele somente a assistia.

sábado, março 01, 2008

Últimas cenas

Com a porta totalmente escancarada, ela se dispôs a olhar o mar. Por muitos dias gastava incansáveis horas ali, se perdendo para se achar entre um pensamento e outro. Andou até o closet, abriu o armário. Enquanto escolhia algo que lhe servisse naquele fim de tarde, a calma senhora entrou sem bater.

- Oi. O que faz aqui tão só?

A jovem ergueu a peça e sorriu. A avó devolveu-lhe a gentileza em dobro.

- Vim aqui para lhe dar isto. Algo para se lembrar de mim.

A moça sorriu ao pegar o trançado de linhas. Pensou no trabalho que ela teve em aprontar aquilo: tão precisa, tão prendada. Convidou-a para que passeassem juntas pela areia da praia.

- Receio que o sol ainda esteja muito quente para mim - disse a linda senhora de cabelos completamente brancos.

Estas foram suas últimas cenas juntas. E hoje quando a jovem se lembra dela, pensa que deveriam ter sido mais próximas, mais amigas. Poderia ter sido bem melhor do que foi. Contudo, ainda assim, a jovem, agora mulher, carrega a certeza de que findou aquele dia com palavras, ações, e sorrisos certos, certa de que havia dado início a um ciclo cheio de cumplicidades. E a amizade que foi selada naquele dia, ressurge em meio a tantas reminiscências em dias de chuva como este.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Verdades sobre nós

Revirando nossas coisas
Lembrei-me daqueles nossos momentos tão constantes em tardes infindáveis
Quando nos deitávamos lado a lado
Ora Jogando conversa fora
Ora falando da gente
Tantos planos...
Nunca nenhum engano.

Teu sorriso minha melhor amizade de todos os dias
Teus abraços... E ainda há braços pra mim
Tua mão na minha
Teus olhos nos meus
E tudo sempre foi tão intenso até que a noite caísse
Aquele sentimento de ser nem noite nem dia que você adora
O quarto escurecendo
E a gente descobrindo no escuro do mundo onde estava tudo que a gente queria

E no início de tudo eu nem te amava tanto...

Você tem mesmo razão...
A gente se pertence
E sinto que é pra sempre
Simples assim.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Tia Cotinha

Devassa tia Cotinha
Que atrás da moitinha
Olhava João a se banhar

Decerto era o ar da fazendinha
Que fazia a velha canguinha
Se regalar de tanto o moço espreitar

Correndo ia para o seu quartinho
Procurando seu cantinho
Para sozinha se refestelar - Ula-lá!!!

Cotinha era chata
Pensava manter moral intacta
E eu por trás a gargalhar

Me seguia até o ribeirinho
Onde eu e Joãozinho
Estávamos somente a brincar - ha-ha-ha

Mas logo chegava a velhota
Que com a cara torta
Se punha a nos olhar

Ah, tia Cotinha!
Te conheço de tantas outras linhas
Que não ouso revelar!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

O Buraco e o Mundo

Depois de esquecer os planos da adolescência
Casamento na igreja, filhos depois dos cinco primeiros anos, e sabe-se lá mais o quê
Bati a porta e tomei o rumo do quarto
Abri a janela para despistar a fumaça
Tornei a fechá-la, detesto os olhares curiosos
Da semana passada ainda o buraco que fiz na parede, aos poucos, com clips, grão a grão
Observei o mundo do lado de fora e vi o quanto ele era pequeno
Pessoas se movimentam todo o tempo
De um lado para o outro
Tão perdidas quanto eu
Nem melhores
Nem piores
Só menos desenvolvidas
E acreditem
Eu vi tudo isso do buraco na parede do meu quarto.